Explicando as segundas (e terceiras) camadas da rede Bitcoin

Com o advento das Inscrições Ordinais e dos tokens BRC-20 muitos questionamentos surgiram sobre a viabilidade destes protocolos, assim como se são positivos ou não para o Bitcoin. Na verdade, existem soluções melhores e nós iremos lhe apresentar neste artigo.

Explicando as segundas (e terceiras) camadas da rede Bitcoin

Introdução

Bitcoin é um ativo desenvolvido sobre um protocolo de objetivo monetário-comercial, ou seja, foi desenvolvido para realizar transações financeiras entre indivíduos.

Com o recente "hype" de tokens não fungíveis (NFTs) através do protocolo Ordinals e o desenvolvimento de tokens fungíveis através do padrão BRC-20 surgiram diversos questionamentos acerca da viabilidade destes experimentos na rede Bitcoin.

Como sabemos, isto existe em outras redes do mercado de criptoativos, como Ethereum e Solana. Entretanto, desenvolvedores começaram a voltar o seu foco para a capacidade de desenvolvimento destas aplicações dentro da rede Bitcoin.

As inscrições ordinais e os tokens BRC-20 inserem dados dentro do blockchain do Bitcoin, encarecendo transações e aumentando a demanda por espaço de bloco. Será que não haveria uma forma mais prática e barata de desenvolver estas utilizações não-monetária? Sim, a resposta é mediante segundas camadas.

As segundas camadas da rede Bitcoin representam uma evolução importante no ecossistema, permitindo transações mais rápidas, baratas e eficientes. Dois dos exemplos mais proeminentes de protocolos de segunda camada são a Rede Lightning e as sidechains como a Liquid Network, assim como protocolos como o RGB e Taproot Assets.

Neste artigo vamos conhecer estes projetos e entender como podem ser o futuro da rede Bitcoin no que diz respeito à criação de tokens, stablecoins, NFTs, DeFi e muito mais!

Rede Lightning

A Rede Lightning (Lightning Network) é um protocolo de segunda camada que opera "em cima" do blockchain do Bitcoin. Foi proposto pela primeira vez em 2015 por Joseph Poon e Thaddeus Dryja, como uma solução para a escalabilidade do Bitcoin. A ideia central é permitir transações fora da cadeia principal (off-chain) para aumentar a velocidade e diminuir as taxas de transação.

A Rede Lightning opera em canais de pagamento bidirecionais. Esses canais são abertos na blockchain do Bitcoin através de uma transação chamada "transação de abertura do canal". Isso requer que ambas as partes em um canal de pagamento comprometam uma certa quantidade de Bitcoin como garantia.

Essa transação é então transmitida à blockchain do Bitcoin, registrando oficialmente a existência do canal de pagamento e o valor que cada parte comprometeu.

Depois que um canal é aberto, as partes podem transacionar entre si tantas vezes quanto quiserem, sem precisar registrar cada transação individual na blockchain do Bitcoin. Em vez disso, apenas o estado atual do canal é mantido pelas partes envolvidas. Cada atualização do estado do canal é uma transação Bitcoin válida, assinada por ambas as partes, mas não transmitida à rede.

Quando as partes decidem encerrar o canal, elas usam a última transação válida acordada para criar uma "transação de encerramento do canal", que é transmitida e registrada na blockchain do Bitcoin. Este processo finaliza o estado do canal e distribui os fundos de acordo com o último estado acordado.

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Este processo é quase instantâneo e as taxas são extremamente baixas. 

Para além das transações entre duas partes, a Rede Lightning permite o roteamento de pagamentos entre canais. Por exemplo, se Alice quer enviar fundos para Charlie, mas não tem um canal direto com ele, ela pode rotear a transação através de Bob, que tem canais abertos com ambos, Alice e Charlie.

Isso é facilitado por uma tecnologia chamada Hashed Timelock Contracts (HTLCs). Um HTLC é um tipo de contrato inteligente que garante que a transação seja atomizada, o que significa que ou a transação inteira ocorre, ou nada ocorre.

Por só conter duas transações on-chain, uma de entrada e outra de saída, torna o custo de transação final muito menor. Isto alivia a demanda por espaço de bloco e permite o desenvolvimento de novas soluções através do protocolo off-chain, mais a frente abordaremos uma solução que está elevando a capacidade da Lightining.

Rede Liquid

A Liquid Network é uma sidechain do Bitcoin, concebida e desenvolvida pela Blockstream. Sidechains são blockchains paralelos ao blockchain original (neste caso, o Bitcoin) que permitem a transferência de ativos de uma cadeia para a outra.

A Liquid foi lançada em 2018 e é uma rede projetada para permitir transferências rápidas e seguras de Bitcoin entre participantes. Essa transferência é facilitada por "pegs" que bloqueiam Bitcoin na cadeia principal e emitem um número equivalente de Bitcoin Liquid (L-BTC) na Liquid Network.

A entrada e a saída da Liquid Network são facilitadas pelo conhecido como "two-way peg". Isso permite que o Bitcoin seja bloqueado na blockchain principal e um número equivalente de Bitcoin Liquid (L-BTC) seja emitido na Liquid Network. O processo inverso também é possível, permitindo que os L-BTC sejam trocados de volta por Bitcoin na blockchain principal.

Para garantir a correspondência 1:1 entre o BTC bloqueado e o L-BTC emitido, a Liquid Network utiliza um mecanismo conhecido como "Federated Peg". Isso envolve uma federação de membros (conhecidos como "functionaries"), cada um operando um hardware especializado chamado "Functionary Box". A maioria desses membros precisa concordar antes que qualquer BTC possa ser bloqueado ou desbloqueado.

Também é usado um algoritmo de consenso chamado "Strong Federations". Este é um modelo de consenso de blockchain federado, onde a validação de blocos e transações é realizada pelos membros da federação. Esses membros estão geograficamente distribuídos e operam de forma independente uns dos outros para evitar pontos de falha centralizados.

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