Bitcoin, o renascimento da teoria econômica

As propriedades únicas do Bitcoin como ativo e moeda criaram uma relação de oferta/demanda nunca vista antes na economia.

Bitcoin, o renascimento da teoria econômica

O gráfico de oferta/demanda para um bem/ativo normal é bastante conhecido por todos aqueles que já estudaram economia básica ou até mesmo aos que apenas se interessam pelo tema, sendo representado por duas linhas em intersecção.

O ponto central onde as linhas se cruzam é conhecido como ponto de equilíbrio e refere-se ao estágio econômico onde a produção de um bem alcança o seu ponto ótimo em relação à sua demanda.

Imagem
Curvas de Oferta e Demanda 

A linha que representa a demanda é descendente, pois cada aumento de preço reduz a quantidade de bens demandados (pessoas se interessam por pagar menos, não mais) e a linha da oferta é ascendente, pois com maior demanda será preciso mais produção para atender esta procura.

Um bem de Giffen é um produto/ativo que possui uma curva de demanda diferente da convencional, geralmente são produtos de baixa renda e de não-luxo que possuem características econométricas distintas da lei natural pois possuem uma curva de demanda que é inicialmente ascendente mas a partir de determinado ponto torna-se descendente.

Bens de Giffen

Geralmente isto é causado por bens inferiores que são essenciais e possuem poucos substitutos, ou seja, mesmo que o preço aumente os consumidores continuarão consumindo pois é o que podem pagar. Entretanto, se o preço continuar subindo muito, chegará um momento onde estes consumidores não poderão mais suportar estes preços e a demanda reduz.

Isto é diferente do que vemos na curva de demanda do Bitcoin, que não é um bem de Giffen e não possui uma curva de demanda neste modelo, pois durante uma bull run o aumento de preço atrai mais investidores, gerando um aumento na demanda.

Imagem
Curva da Demanda

Seguindo, portanto, uma curva de demanda crescente e sempre positiva que faz com que a curva nunca inverta para descendente, justamente pelo fato de que a utilidade marginal de um bem monetário nunca chegará a zero.

Utilidade marginal pode ser entendida como o nível de demanda para cada nova unidade adquirida, por exemplo, para quem está com bastante fome um pedaço de pizza terá alta utilidade, assim como o segundo e o terceiro pedaço, mas será que o 9ª ou 12ª pedaço terão a mesma utilidade ? Provavelmente existirá um ponto onde a utilidade será zero, pois  fome está saciada.

Isto não acontece com bens monetários, mesmo que você seja o homem mais rico do mundo ainda existirá certa utilidade para mais 1 milhão de dólares ou 1 bilhão, não será tão gratificante quanto para alguém com somente 10 mil dólares de patrimônio mas ainda existirá certa utilidade.

Bitcoin, pode ainda ser comparado com um bem de Veblen, que seria outro conceito de “anomalia” na curva de demanda, similar ao bem de Giffen mas neste caso estamos falando de um bem de luxo e não de um bem inferior com poucos substitutos.

Imagem
Curva da demanda de um bem de Veblen e um bem normal

Entretanto, como Bitcoin é um bem monetário, por isso não encaixa perfeitamente na definição de um bem de Giffen nem de um bem de Veblen.

Na verdade, Bitcoin possui uma curva de demanda não perfeitamente ascendente mas com exponencial inclinação ascendente como está representado abaixo.

Imagem
Bitcoin: Curva da Oferta e Demanda

Isto é causado pelo fato de que Bitcoin possui um limite de oferta de 21,000,000 unidades que poderão ser criadas, o que fornece uma curva de oferta vertical fixa.

Isto significa que um aumento no preço ou um aumento nas quantidades demandadas não poderão afetar a quantidade produzida.

Neste caso, o preço do bitcoin é puramente uma função da demanda e não no equilíbrio entre as curvas de oferta e demanda como citadas na primeira imagem, que é aplicado a maioria dos bens/ativos tradicionais deste planeta.

Imagem
Bitcoin: Curva da Oferta e Demanda

Desta forma, temos um preço que é guiado pela quantidade demandada (q*) e por consequência esta quantidade demandada é guiada pela ação do preço (p*), gerando um efeito bola de neve no crescimento exponencial.

Com o aumento da quantidade demandada (qD), a inclinação da curva da demanda será forçada a ter um movimento parabólico quase em vertical, o que faz com que a quantidade demandada nunca poderá ser tecnicamente maior que a quantidade fornecida (qS).

Preço e demanda acabam se autoalimentando.

Aumento na demanda gera aumento no preço, por consequência do aumento de preço haverá um aumento na demanda. A escassez programada forçará uma ação parabólica do preço. É isto que tem ocorrido desde o início da negociação livre do Bitcoin.

Bitcoin: Modelo Exponencial-Hiperbólico (Stock2FOMO)

Um dos modelos mais conhecidos que mostrou inicialmente esta relação foi o famoso Stock-to-Flow, que entretanto assinalava uma relação logarítmica em formato de curva S.

Ao colocarmos o crescimento exponencial do Bitcoin em escala linear podemos ver ainda melhor a relação econômica citada anteriormente, que na verdade sempre foi uma curva J.

Bitcoin possui um limite de oferta, entretanto pode ser divisível em milhares de pedaços, portanto mesmo que o preço suba exponencialmente as pessoas ainda poderão acumular satoshis.

Se você ainda não percebeu até aqui, Bitcoin possui características que o tornam único e incomparável com qualquer outro bem ou ativo na terra, suas propriedades criam um novo modelo de economia baseado em pura escassez e livre mercado. Em resumo:

Bitcoin possui o mais puro livre mercado do planeta.
Não ter exposição ao Bitcoin é o maior risco que um investidor pode ter.

Veja os comentários

Assine o BlockTrends | Research para poder visualizar e comentar.

Inscreva-se já