Guia prático de análise on-chain

Material introdutório para todos que possuem interesse em análise de dados on-chain, este é o primeiro da série "Guia on-chain".

Guia prático de análise on-chain

E se existisse uma forma de analisar os fundamentos do Bitcoin? Compreender o mercado cripto é uma tarefa árdua e muitas vezes complexa para muitos investidores. A quantidade absurda de informações diárias acaba ofuscando muitos sinais no dia-a-dia, por isso existem formas de analisar mercados através de dados importantes que fornecem insights sem ruídos.

No mercado tradicional, essas análises são feitas através de dados corporativos, demográficos e econômicos. Ao analisar empresas, por exemplo, observamos o balanço e a demonstração de resultados para retirar as informações necessárias para entender a saúde daquele ativo.

No bitcoin, existe hoje uma forma ainda mais avançada de retirar informações importantes e que está disponível 24 horas por dia sem interrupções, estamos falando de dados on-chain.

Neste artigo, vamos entender o básico da análise on-chain e aprender como iniciar a jornada nesta nova forma de análise econômica.

O QUE É A ANÁLISE ON-CHAIN?

Em poucas palavras, análise on-chain pode ser compreendida com uma forma de extrair dados e informações da blockchain do Bitcoin com a finalidade de desenvolver métricas e indicadores que podem ajudar na tomada de decisão de investidores, acumuladores e estudiosos do mercado.

Dados on-chain sempre existiram na rede Bitcoin, pois sempre foi possível extrair informações da blockchain, mas somente a partir de 2011 é que temos o primeiro relato publico de um indicador puramente on-chain.

O conceito de “Dias de moedas destruídos” foi cunhado pelo pseudônimo chamado Bytecoin no fórum bitcoin talk, mesmo fórum utilizado por Satoshi Nakamoto no início do desenvolvimento da rede.

Este indicador trouxe uma nova forma de observar UTXOs com base na idade das movimentações ocorridas, e serviu como fundamento para inúmeros outros indicadores que existem hoje e que iremos abordar nas próximas análises.

Então, dados on-chain são basicamente o rastro das transações que ocorrem na rede Bitcoin. E a análise on-chain é uma forma de transformar estes rastros em indicadores e métricas para auxiliar a compreender a saúde da rede e o estágio do ciclo econômico de negociação.

POR QUÊ A ANÁLISE ON-CHAIN É IMPORTANTE?

O bitcoin não possui fluxo de caixa como as empresas, nem estudos geográficos como metais preciosos e nem indicadores de políticas internacionais como o mercado cambial. Então, o que é mais comum de ser utilizado para analisar a negociação de BTC é a análise técnica.

Entretanto, a análise técnica está focada exclusivamente no preço do bitcoin, e o que é conhecido como “análise fundamentalista”, não existia para uma rede descentralizada, não pelo menos até compreendermos que análise on-chain é a análise fundamentalista do Bitcoin.

Através de dados on-chain conseguimos ir além do preço, podemos observar movimentações internas que ainda não foram precificadas ou consequências de um precificação volátil.

Dessa forma, a análise on-chain torna-se a melhor ferramenta para aqueles que desejam melhorar sua alocação/investimento em bitcoin, seja curto, médio ou longo prazo. Além disso, consegue trazer uma visão clara da saúde da rede, sendo útil até para os que não se importam com o preço.

DADOS BRUTOS E OS 3 PILARES DA ANÁLISE ON-CHAIN

Dado esta breve introdução sobre a história da análise on-chain e seus benefícios, chegou a hora de nos debruçarmos sobre como estruturar o estudo de dados on-chain e quais os principais indicadores utilizados.

Para compreendermos a finalidade de cada indicador que será apresentado, precisamos dividi-los em categorias, sendo estas: tempo, concentração e atividade.

Além das três categorias apresentadas, existem os dados brutos da rede que não são indicadores desenvolvidos por analistas, mas sim informações da própria rede e do seu funcionamento. Começando por dados brutos temos 3 principais exemplos:

Hashrate: mede a força computacional da rede, sendo o número médio estimado de hashes por segundo produzidos pelos mineradores. Pode ajudar a compreender quão segura é a rede Bitcoin e a quantidade de máquinas conectadas, trabalhando em prol do seu funcionamento.

Dificuldade: mede a quantidade estimada de hashes que são necessários para minerar um bloco, sendo assim uma forma de medir o nível de dificuldade empenhada para obter recompensa de mineração.

Taxas: para cada transação de BTC feita é necessário que taxas sejam pagas a mineradores, de forma a manter a atividade da rede. Aqui, vemos a quantidade de taxas que estão sendo pagas diariamente e podemos ter uma visualização de muita ou pouca movimentação on-chain.

Agora, que já vimos o que são dados brutos, iremos aprofundar nos 3 pilares principais da análise on-chain avançada.

1. TEMPO

Como vimos, o primeiro indicador on-chain que existiu trouxe o conceito de “tempo de dormência” do Bitcoin, a partir daí, entendemos que a variável tempo é um importante indicador para investigarmos a interação entre diversos participantes da rede.

Dentro desta categoria estão os indicadores que apontam a quantidade de tempo que Bitcoins estão imóveis ou estão se movimentando, de forma que seja possível classificar especuladores de curto prazo e investidores de longo prazo.

HODL Waves é um dos principais indicadores que fazem este rastreamento, aqui vemos ondas com base na idade dos bitcoins da rede em percentual da quantidade total circulante.

Outra forma também interessante é vermos a quantidade de bitcoins que não se movem a um determinado período de tempo, como é o exemplo do gráfico abaixo, de moedas inativas há mais de um ano.

Dentre os mais conhecidos indicadores estão também o LTH e STH, siglas em inglês para holders de curto prazo e holders de longo prazo. Esse indicador é orientado com base nos bitcoins que estão inativas há aproximadamente 155 dias.

Outros indicadores desta categoria são: Binary CDD, CVDD, Dormancy, Liveliness e SOAB.

2. CONCENTRAÇÃO

Outra forma de classificarmos indicadores on-chain é através da concentração de bitcoins e endereços, nesta categoria estarão todos os indicadores que rastreiam a quantidade de bitcoins de cada participante e seu tipo de investidor.

Esta categoria, é uma das mais complexas que existem, pois requer um árduo processo de classificação de endereços para que seja possível ter dados mais precisos.

Vemos no gráfico abaixo, por exemplo, a quantidade de moedas em posse de mineradores:

Assim como também é possível ver a quantidade de bitcoins em posse de exchanges:

Podemos também incluir nesta categoria as classificações de endereços para entender a concentração de grandes investidores ou a atividade de pequenos acumuladores e traders.

Geralmente, esses investidores são as conhecidos como “baleias” e “sardinhas” no mercado. Abaixo temos a quantidade de endereços que possuem abaixo de 0.1 BTC, indicando a atividade de pequenos investidores.

Em contrapartida, também podemos visualizar a quantidade de endereços que possuem entre 1.000 e 10.000 unidades de bitcoin, indicando a atividade de institucionais, fundos de investimentos ou outros grandes players da rede.

Nesta categoria, podem ser incluídos muitos outros indicadores, como a reserva de LTHs e STHs, reservas de fundos de investimento, reservas de empresas da bolsa que possuem BTC, reservas de exchanges de operação com derivativos, entre outros.

3. ATIVIDADE

O terceiro pilar da análise on-chain que iremos abordar diz respeito a atividade intrínseca dos bitcoins na rede, entretanto é preciso notar que existem uma grande quantidade de métricas que rastreiam atividade, já que a própria análise on-chain é com base em dados de transação.

Enxergar a atividade da rede pode ser uma forma de entender a demanda atual e se estamos num período de euforia extrema ou medo extremo. Rastrear a quantidade de bitcoins que estão entrando ou saindo de exchanges pode ser um exemplo disso também.

Da mesma forma, também podemos visualizar a quantidade de bitcoins que estão saindo de carteiras de mineradores.

Além das movimentações entre participantes da rede, é possível também rastrear as movimentações apenas com base no lucro ou prejuízo destas atividades, sendo uma forma de rastrear a lucratividade da rede no geral e vermos a atividade de venda em pânico ou euforia.

Abaixo, temos a realização de lucros/prejuízo na rede Bitcoin.

Existem muitas outras formas de analisar a atividade e a lucratividade da rede, como através do SOPR, In-house Flows, SOVB, etc.

COMO UTILIZAR A ANÁLISE ON-CHAIN NO MERCADO

Existem diversas formas de utilizar a análise on-chain diariamente, seja por traders de curto prazo ou por investidores de longo prazo. Dentre as principais formas de utilizar essa análise estão os indicadores on-chain de ciclos de mercado, que utilizam as categorias citadas acima para trazer sinais de entrada/saída.

Um dos mais famosos desses indicadores é o MVRV, um rácio entre o valor de mercado atual medido pela quantidade de bitcoins existentes, vezes o seu preço e o valor de mercado realizado, sendo medido não pelo preço atual. mas sim pelo preço de aquisição.

Outro indicador bastante conhecido é o Lucro/Prejuízo líquido não realizado, que mede a quantidade de bitcoins que estão acumulando perdas devido a quedas de preço ou acumulando lucros devido a altas na cotação.

Então, qualquer pessoa pode acompanhar estes indicadores para ter uma noção melhor dos momentos de entrada e saída do mercado, além também de poder rastrear movimentações de curto prazo e se preparar antecipadamente para impactos sobre o preço.

A melhor forma de utilizar análise on-chain é para conseguir entender que fase do ciclo econômico do Bitcoin nos encontramos e para conseguir tomar decisões mais fundamentadas e de forma antecipada.

COMO ME APROFUNDAR EM ANÁLISE ON-CHAIN?

Existem diversas formas de estudar e acompanhar análises on-chain, infelizmente a maioria está em inglês e/ou é de difícil compreensão.

Pensando nisso, nós do BlockTrends possuímos uma área de Research focada em material e conteúdo de nível institucional, mas de fácil compreensão até mesmo para aqueles que estão começando no mercado.

O BlockTrends Research é o braço de relatórios e análises do BlockTrends. Focado em te mostrar o contexto por trás de cada análise, nosso objetivo é trazer conteúdos de nível profissional de forma descomplicada e a um preço acessível a todos os consumidores.

Além disso, também é possível fazer parte da maior comunidade de dados on-chain que existe em língua portuguesa, onde, diariamente, diversos analistas e entusiastas discutem e aprendem em conjunto. Para os assinantes do BlockTrends Research, também é possível ter acesso ao canal privado onde eu e outros analistas explicam, desmistificam e compartilham uma série de dados on-chain, do básico ao avançado.

O fato é que o bitcoin permite um olhar translucido sobre o movimento da rede e o atual estado dos principais players do mercado. Por aqui, vamos detalhar em tempo real alertas e sinais para te preparar para qualquer cenário do mercado.

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